Denúncia revelada por ex-funcionários expõe suposto esquema dentro de gabinete parlamentar
Uma nova denúncia de rachadinha — prática em que assessores são obrigados a devolver parte de seus salários a políticos — voltou a movimentar os bastidores da Câmara Municipal de Araraquara nesta segunda-feira (24).
Segundo reportagem do Jornal da EP, da rádio EPFM, ex-assessoras e ex-assessores parlamentares relataram que, para ocuparem cargos comissionados, precisavam aceitar um acordo informal de repasse mensal de parte do salário via Pix para a mãe do vereador Emanoel Sponton (Progressistas).
De acordo com os depoimentos, os valores repassados variavam de R$ 300 a até 50% do vencimento mensal. Os acordos seriam firmados antes mesmo das nomeações, e os pagamentos continuavam mesmo quando os assessores não cumpriam jornada integral de trabalho.
“Era um acordo em que ele passava as condições e nós aceitávamos. No meu caso, o Pix era feito para a mãe dele. No mandato anterior, isso também já ocorria com outras pessoas”, relatou uma das denunciantes, com identidade preservada.
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Emanoel Sponton - Foto (redes sociais) |
Quem é Emanoel Sponton
Emanoel Sponton é um político brasileiro filiado ao partido Progressistas (PP), atuando como vereador na Câmara Municipal de Araraquara, São Paulo. Ele foi eleito para a 18ª Legislatura (2021-2024) com 1.388 votos, correspondendo a 1,33% dos votos válidos. Durante esse período, exerceu o cargo de 2º Secretário na Mesa Diretora entre 2023 e 2024.
Nas eleições municipais de 2024, Sponton foi reeleito para a 19ª Legislatura (2025-2028), obtendo 1.461 votos (1,32% dos votos válidos). Atualmente, ocupa o cargo de vice-presidente da Câmara Municipal de Araraquara para o biênio 2025-2026.
Recentemente, o vereador foi alvo de denúncias veiculadas pelo Jornal da EP, da rádio EPFM, em 24 de março de 2025. Segundo as acusações, Sponton estaria envolvido em um esquema de "rachadinha", no qual assessores parlamentares repassavam parte de seus salários ao vereador por meio de transferências via Pix destinadas à sua mãe. Até o momento, não há informações sobre o posicionamento oficial de Emanoel Sponton em relação às denúncias.
⚠ Relembre: caso semelhante levou à cassação de mandato em 2013
Embora o caso ainda esteja sob apuração, a denúncia remete a um fato histórico ocorrido na política araraquarense: a cassação do então vereador Serginho Gonçalves, em 2013, pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP), após comprovação de abuso de poder econômico e uso indevido de cargos comissionados para financiamento de campanha — o que, à época, também envolvia devolução de parte dos salários dos assessores.
A semelhança entre os dois episódios reacende discussões sobre a persistência de práticas irregulares dentro do legislativo local e levanta dúvidas sobre a eficácia dos mecanismos de controle interno e externo da Câmara.
📣 Posicionamentos
A reportagem da rádio EPFM informou que o vereador Emanoel Sponton foi procurado, mas não atendeu nem retornou os contatos até a publicação da matéria.
A Câmara Municipal de Araraquara, por meio de nota assinada pelo presidente Rafael de Angeli (Republicanos), declarou que reafirma o compromisso com a transparência e que qualquer denúncia concreta deve ser formalizada junto aos órgãos de controle, como o Ministério Público.
“A Câmara atua com responsabilidade e compromisso com a população, sempre prezando pelo uso correto dos recursos públicos e pela transparência em suas ações”, destacou o posicionamento.
🔍 O que pode acontecer?
Se for formalizada junto ao Ministério Público, a denúncia pode resultar em investigação por improbidade administrativa, corrupção passiva e eventual perda de mandato, caso haja comprovação dos fatos.
O episódio também coloca em xeque a confiança da população e reforça a necessidade de reforço dos mecanismos de fiscalização, transparência e prestação de contas dentro do Legislativo.
📢 O Diário da Cidade seguirá acompanhando o caso e está aberto para manifestações e notas de resposta das partes envolvidas.
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